Uma forte luz ofusca a vis?o de certo alguém.
Por mais bela que a luminosidade pare?a, nem sempre ela significa um bom presságio.
Dentro de uma esfera dourada, alguém permanece enclausurado, com pulsos e tornozelos presos por correntes áureas, o rosto mantido baixo.
Porém, o olhar desse homem n?o está envolto de arrependimento.
As paredes do casulo cedem, liberando a vis?o desse indivíduo para o exterior.
Na varanda de um castelo no cume, a cidade abaixo, repleta de luzes, música e dan?a, celebra a sua captura.
Ao observar isso, apenas um sorriso discreto se forma.
一 O que é t?o engra?ado, criminoso? 一 uma voz feminina com um tom etéreo ressoa.
Os passos com salto alto se aproximam do homem restrito com uma espada cravada sobre as costas.
Ao lado do rapaz, a mulher loira trajada em uma vestimenta peplo nobre, também admira o ambiente festivo abaixo.
一 Eu já tava com saudade de você, Adikia…
一 Me poupe do seu papo furado. 一 de bra?os cruzados, a loira o encarou com desdém usando o canto dos olhos.
As suas aten??es se encontram.
Mas o dourado sobre os olhos da mulher ainda est?o imaculados de qualquer tingimento escuro.
一 Só é engra?ado pensar que… mesmo explorados… ou sem qualquer no??o da verdade, as pessoas ainda conseguem achar um tempo pra sorrir… 一 com o riso, o tom baixo da fala n?o permite que a mulher desfrute do seu sofrimento.
一 é por esse motivo que você lutava? Desejando a liberdade dos outros… Que piada. 一 os olhos dela se reviram com tamanha tolice.
一 Talvez pra você seja um motivo idiota... mas eu já fui uma daquelas pessoas... 一 complementou com um suspiro de alívio.
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O cenho da mo?a aparece de forma nítida.
一 E onde "ser livre" te trouxe, Raisel Forsch? 一 a ponta do pé bate incessantemente contra o ch?o.
一 Do que adiantou a liberdade, se tudo o que você fez te trouxe aqui? Você chegou longe, mas acha que tudo isso valeu a pena?! Destruir a ordem dos reinos, apenas por liberdade?!
No fim, ela se vira para ele.
A fei??o decepcionada contrasta com a sua frustra??o.
一 Você devia ter escutado o meu aviso em Roderich… Eu pensava que você era como–
一 Adikia! 一 urrou com os punhos bem apertados.
O semblante dele se ergue.
O cabelo longo castanho abre espa?o para os olhos amarelados oscilantes que deslizaram para a dire??o da mulher.
一 Você é... o Arauto de Sagitário... Nossos papéis s?o… completamente diferentes.
Porém, em um balan?ar de m?o da loira, a espada de luz simplesmente afunda mais, ao ponto de atravessá-lo.
一 Basta da sua voz… Logo após o festival, você será executado ao público e feito como exemplo do que n?o se fazer. Um homem com tanto potencial, mas que sucumbiu para o caminho da desordem. é realmente lamentável… 一 suspira enquanto o fecha novamente no domo ofuscante.
一 Faltam mais dois dias para o seu fim, Raisel. Reflita sobre os seus pecados.
Com as últimas palavras, Adikia caminha em dire??o aos aposentos do prédio real e desaparece sob o balan?o das cortinas.
Na varanda, restou apenas o sentenciado sob o céu estrelado.
A cabe?a do rapaz cai para observar os próprios joelhos.
"Meu fim… Se esse for mesmo o fim, eu segui os meus valores, o propósito que me pertence…"
Conforme a festa acontece nas largas ruas da cidade, as memórias do início de tudo come?am a surgir sobre a vista dele. Afinal, sua única companhia agora é si mesmo.
"Sinto saudade daquela época... Descer para o vilarejo, ca?ar e passar o dia com o pessoal… Do último dia em que eu me senti seguro…"
“Eu n?o quero morrer…”
Em meio às lembran?as, Raisel adormece.
Entre a nostalgia do conforto, é a hora de explorar o que o levou até aqui.
Voltando para quatro anos atrás, uma vila pacata de poucas casas surge.
Nessas memórias distantes, o som dos pássaros ganha notoriedade sob a sua mente. Um aconchego que foi perdido há muito tempo entre memórias que, talvez, n?o existir?o mais.

